Sobre o caos no mercado de pilotos da Fórmula 1

 

Alonso vai substituir Vettel na Aston Martin (Foto: EPA/Ali Haider)

Antes do Grande Prêmio da Hungria, o mundo da Fórmula 1 foi surpreendido com a aposentadoria de Sebastian Vettel ao final da temporada. No dia seguinte ao GP húngaro, a Aston Martin confirmou Fernando Alonso como substituto do quatro vezes campeão mundial. Porém, em uma reviravolta muito louca, a McLaren entrou na história e “roubou” Oscar Piastri, que havia sido anunciado pela Alpine e criou um clima terrível, como diria o famoso meme do Galvão Bueno, após o piloto dizer que não havia acerto nenhum com a equipe francesa.

A aposentadoria do alemão nem é tão surpreendente, já que depois do GP da Alemanha de 2018, onde bateu sozinho ao estar liderando a corrida e praticamente ter dado adeus às chances de título, sua carreira entrou em espiral negativa e a ida para a Aston Martin, indica isso. Afinal, era uma equipe “estreante” na categoria, por mais que já corresse com o nome Racing Point.

Pela equipe britânica, o alemão teve mais momentos ruins do que bons. Erros, batidas, como no GP da Austrália desta temporada, entre outros incidentes – alguns, culpa do próprio Vettel, outros, por azar mesmo. Com a Aston Martin, foi apenas um pódio: o segundo lugar no caótico GP do Azerbaijão do ano passado. Nem a mudança de regulamento para 2022, fez o time evoluir, pelo contrário, regrediu. A prova disso, é que o alemão pontuou apenas em cinco corridas nesta temporada, somando 16 pontos no campeonato.  

Se por um lado, a aposentadoria de Vettel não surpreendeu, o que pegou todos de surpresa foi a ida de Fernando Alonso para substituir o pentacampeão na Aston Martin. Desde que retornou à Fórmula 1 em 2021, o espanhol vem conquistando bons resultados com a Alpine, incluindo um pódio no GP do Catar no ano passado, além de ser um dos pilotos mais regulares do grid – dentro do que o carro permite.

Na atual temporada, os franceses estão brigando de igual com a McLaren pelo quarto lugar no campeonato de construtores, tanto que estão quatro pontos à frente da escuderia britânica na classificação. Em contrapartida, a Aston Martin é a penúltima colocada, com 20 pontos somados.

Falam que um dos motivos do bicampeão aceitar o projeto da Aston Martin, foi o tempo de contrato, já que a Alpine queria algo de curto prazo. Mesmo assim, não deixa de ser um passo atrás na carreira. Aos 41 anos e sabendo que é cada vez mais difícil o sonho de ser tricampeão, parece que Alonso quer estar na Fórmula 1 para se divertir e tentar se tornar o piloto com mais corridas na história da categoria, além de provar que ainda pode ser competitivo entre os melhores do mundo.

Um outro motivo que pode ter feito Alonso pular da barca, é que desde que a Renault/Alpine voltou para a F1, nunca saiu do meio pelotão, e mesmo com grandes investimentos, já que é um time de fábrica, encontra-se totalmente estagnada. Sem contar que internamente, a equipe parece uma bagunça. Na Aston Martin, vai encontrar Lawrence Stroll, que está disposto a gastar rios de dinheiro, com o objetivo de tentar deixar a equipe o mais competitiva possível.

Por último, uma das coisas que deixa mais curioso, será em ver como Alonso se relacionará com a equipe, principalmente por estar dividindo os boxes com o filho do dono. Se Vettel era aquele cara mais polido, que evita em entrar em polêmicas, Alonso é totalmente o oposto, e no primeiro momento que as coisas não saírem do jeito dele, já chutará o balde.

No dia seguinte, querendo dar uma resposta imediata, a Alpine anunciou Oscar Piastri para pilotar em 2023. O australiano era piloto da academia da equipe francesa e era uma escolha óbvia, já que foi um fenômeno nas categorias de base, ganhando a Fórmula Renault, F2 e F3 em sequência e o salto para a F1 parecia só uma questão de tempo. Porém, horas depois, em seu Twitter, o próprio Piastri postou que não havia nada acertado com a Alpine e que correria por outra equipe no ano que vem. 

Piastri desmentiu o acerto com a Alpine (Foto: Divulgação/F1.com)

A permanência de Alonso na Alpine era dada como certa, com isso, outras equipes passaram a observar Piastri, mais especificamente a McLaren e Williams. E, de acordo com o que está saindo na imprensa, o australiano irá substituir seu compatriota Daniel Ricciardo na McLaren.

No início do mês passado, o chefe da McLaren, Andreas Seidl, disse que Ricciardo tinha contrato com o time e iria cumpri-lo. A fala do dirigente pareceu algo muito mais protocolar, para não estender a novela em torno do futuro do australiano. Mas é nítido que existe um grande descontentamento com o desempenho ruim de seu piloto nestes dois anos.

A tendência é que McLaren e Ricciardo entrem em um acordo e o australiano seja dispensado ao final da atual temporada. Inclusive, com a Alpine a ver navios sem seus dois pilotos, já admite a possibilidade de recontratar Ricciardo.

Com Piastri juntando-se a Norris na McLaren, só comprova como o time de Woking está com um planejamento de longo prazo, basta ver que em seu elenco de pilotos, estão apostando em jovens. Por mais que o australiano chegue como uma promessa, terá mais tempo para se adaptar ao carro, diferentemente de seu compatriota, que, por ter experiência e ser um vencedor de corridas na F1, se exigiam resultados muito melhores.

Mesmo o talento de Piastri já ser conhecido, a ida do australiano para a McLaren, pode ser uma surpresa também. Em seu hall de pilotos que integram o McLaren Group, existem nomes com Pato O’Ward, Colton Herta e Alex Palou, sendo que os dois primeiros já participaram de testes com o carro laranja, e seus desempenhos foram elogiados por Zak Brown.

Por mais que a Alpine conteste o contrato de Piastri com a McLaren, alimentando ainda o sonho de que o australiano corra na equipe francesa, a tendência mesmo é que o garoto vá para Woking em 2023.

Independentemente do desfecho de toda essa história, essa novela ainda deverá ter novos capítulos, já que a McLaren, em nenhum momento, se pronunciou diante de toda essa polêmica.