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| Em dois anos na McLaren, Ricciardo pouco entregou (Foto: Divulgação/McLaren) |
Quando a McLaren contratou Daniel Ricciardo para substituir
Carlos Sainz, parecia que havia sido uma excelente escolha, afinal, o australiano
conquistou vitórias pela Red Bull e quebrou um longo jejum de pódio da Renault
desde o seu retorno à categoria. O seu currículo vitorioso, somado ao crescimento
da escuderia de Woking davam indícios de que poderiam formar uma parceria de
sucesso. Mas, com duas temporadas, vimos o oposto.
Cansado de ser a sombra de Verstappen na Red Bull, Ricciardo
optou por um movimento ousado, ao trocar uma equipe de ponta e ir para a
Renault. Pela equipe francesa, foi um inicio de pouco brilho, com resultados
discretos. O carro pouco confiável também não ajudava muito, mas em sua segunda
temporada pelo time, conseguiu dois pódios. Só que o nono e quinto lugares no
mundial de pilotos não o deixou satisfeito, tanto que aceitou o convite da
McLaren sem pensar duas vezes.
Em termos de pilotagem, era até possível dizer que Ricciardo
era mais piloto do que Sainz. Mas o espanhol, junto com Norris, foram os responsáveis
pela McLaren voltar a ser competitiva, e o terceiro lugar no campeonato de
construtores de 2020 indicava isso.
Ricciardo até somou alguns pontos nas primeiras corridas de
2021, tendo dois sextos lugares como melhor resultado, só que Norris,
mostrava-se muito mais competitivo, conquistando dois pódios e um improvável
terceiro lugar na classificação, com 56 pontos, contra 24 de seu companheiro.
Logicamente que a McLaren não era um carro de ponta e Norris
caiu na tabela de pilotos, mas ainda imprimiu um bom ritmo, sendo constante e
pontuando com frequência. A prova é que das 22 corridas da temporada, o inglês
só não pontuou em duas.
Só que em Monza, talvez tenha acontecido uma das grandes
surpresas do ano, quando Ricciardo terminou em terceiro na Sprint Race e no
domingo, se aproveitou do enrosco entre Hamilton e Verstappen para vencer no
circuito italiano, encerrando um jejum de nove anos da equipe inglesa sem subir
no lugar mais alto do pódio.
Com o triunfo, era-se de imaginar que o australiano enfim
pudesse ter se encontrado com o carro laranja, mas não foi o que aconteceu. Nas
oito corridas seguintes, só pontuou em três, ficando em oitavo lugar no
campeonato.
Nem a vitória foi capaz de salvar o piloto de críticas por
ter ficado muito abaixo do esperado e ser superado com facilidade por Norris.
Os mais pacientes, talvez dessem uma colher de chá ao
australiano, que pela primeira vez desde 2013 correu sem o motor Renault, além
da McLaren ter aberto mão do campeonato de 2021 para focar no desenvolvimento
do carro de 2022, ano que entraria em vigor o novo regulamento da Fórmula 1.
Então, entramos na atual temporada. As novas regras sempre
tratam de embolar o campeonato e possibilitam o surgimento de outra equipe dominar
a temporada. Logicamente havia uma certa expectativa com a McLaren iria fazer,
só que a primeira corrida foi uma verdadeira tragédia, com os dois carros passando
longe da zona de pontos.
Por mais que o carro não seja tão bom quanto aos últimos
anos, dentro do possível, Norris vem descolando alguns pontos e até um pódio em
Ímola. Enquanto Ricciardo, das dez corridas do ano, soma míseros 15 pontos, que
dá 43 pontos de diferença para seu companheiro.
O chefe da McLaren, Zak Brown, que sempre foi tranquilo em
relação seus pilotos, já está perdendo a linha com Ricciardo. Criticando o
desempenho de seu piloto abertamente, que não consegue acompanhar o ritmo de
Norris e pouco tem ajudado no desenvolvimento do carro.
Uma das marcas do piloto tem sido as desculpas. Em diversas entrevistas,
faz questão culpar o carro pelo seu desempenho ruim, dizendo que o MCL36 não o
permite fazer nada, precisando mudar o seu estilo de pilotagem, com isso, ele
não se sente bem dentro da pista.
Fazendo uma analogia com outros nomes do atual grid, nós
sabemos que um piloto é diferente, quando ele tira algo mais do que o carro
permite. Ver Pérez conquistando pódios e uma vitória com a Force Índia/Racing
Point. Russell com a Williams, se classificando para o Q2 com frequência, e
hoje na Mercedes, sendo um dos pilotos mais regulares do campeonato. E Alonso, que
talvez seja mestre neste quesito, mesmo afastado dois anos, consegue entregar
bons resultados com uma Alpine, que está longe de ser um grande carro.
Ganhando o quinto maior salário do grid e com contrato até
2023, resta saber se Zak Brown e a cúpula da McLaren terão paciência para
aguentar mais uma temporada com o australiano, ou se irá preferir pagar a multa
e contratar outro piloto já para a próxima temporada.
Com o crescimento da Fórmula 1 nos Estados Unidos, talvez a
equipe opte por algum nome conhecido do público americano. Por isso, é possível
associar dois pilotos da Indy: Pato O’Ward, que é da própria McLaren, e Colton
Hertha, da Andretti, mas que integra o programa de pilotos da equipe britânica.
Diferentemente de Norris, que corrida pela Fórmula 2 e já
era apadrinhado da McLaren, atualmente, a equipe não tem nenhum piloto nas
categorias de base para subir ao time principal. E, talvez, o caso mais
improvável: contratar algum piloto que já esteja na F1. Falou-se de Gasly, mas
o francês renovou para continuar na Alpha Tauri e os outros nomes, parecem
improváveis que pilotem pela equipe inglesa.
Em relação ao Ricciardo, outrora cotado para ser um futuro campeão
do mundo, vai vendo suas portas fecharem na Fórmula 1, especialmente em equipes
de ponta, que cada vez mais estão optando por contratar pilotos jovens e, aos
33 anos, ciente disso, já admitiu em se aposentar da categoria correndo pela
McLaren.
Infelizmente, o australiano vai se encaminhando para ter uma reta final de carreira melancólica na F1. Podemos lembrar do seu estilo arrojado de pilotagem, suas vitórias, seu jeito carismático, sempre sorrindo, cativando fãs ao redor do mundo. Mas talvez o Ricciardo seja exatamente isso: um cara legal, que teve seus momentos de brilho, mas quando decidiu trocar a Red Bull pela Renault, se perdeu e começou a pular de galho em galho para salvar sua carreira.
