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| Jogadores comemoram gol contra o Inter Miami (Foto: Divulgação/FC Barcelona) |
Mesmo com a delicada situação financeira que vive o
Barcelona, tem chamado a atenção o desempenho do clube no atual mercado de
transferências. Para ter dinheiro em caixa, o presidente do Barça, Juan
Laporta, costurou uma série de acordos que rendeu alguns milhões imediatos à instituição
– mas que ao longo prazo, pode cobrar o seu preço.
Por mais que alguns nomes tenham vindo de graça, como Christensen
e Kessié, o Barcelona desembolsou 58 milhões de euros por Raphinha. O
brasileiro, que se destacou com a camisa do Leeds, recusou propostas de Chelsea
e Arsenal para realizar o seu sonho de jogar na Catalunha. E a outra contratação
de impacto: Robert Lewandowski. Eleito duas vezes o melhor jogador do mundo,
custou 45 milhões de euros.
Um dos pontos que chamam a atenção, é que mesmo com toda a
situação que o Barcelona tem vivido nos últimos anos, é um clube que ainda
chama a atenção dos jogadores. Um exemplo disso é De Jong, mesmo tendo uma
proposta do Manchester United, quer permanecer na Espanha – e explica muito do
momento dos Red Devils. Porque se fosse um clube qualquer, dificilmente
teria o mesmo apelo do Barça.
Talvez muitos torcedores culés pudessem ter algum receio de
que o Barcelona virasse um Milan de anos atrás, que fazia campanhas medíocres na
liga e muitas vezes, sequer figurava na Liga dos Campeões. Só que a direção
conseguiu contornar todas as dificuldades e pôde entregar um elenco competitivo
para Xavi.
Falar em títulos, talvez ainda seja difícil. Em âmbito nacional,
o Real Madrid mantém a espinha dorsal vencedora dos últimos anos e o Atlético
do Madrid, é sempre uma caixinha de surpresas. No cenário europeu, certamente
será um time mais competitivo do que nos últimos dois, três anos, mas ainda
será difícil desbancar outras potências europeias, que também já estão com seus
elencos mais entrosados.
Se com Ronald Koeman os torcedores não conseguiam ver uma
evolução no elenco, com a chegada de Xavi, tudo mudou. Ídolo do clube, conhece
como poucos a filosofia do Barcelona. Mesmo que seu único trabalho como técnico
havia sido no Catar, foi possível notar a mudança quase que de imediato no
estilo de jogo. A recuperação em La Liga, que resultou no vice-campeonato, além
de ter goleado o Real Madrid por 4 a 0 e o Atlético de Madrid por 4 a 2, foram
os pontos altos da última temporada. A eliminação na fase de grupos da Liga dos
Campeões, foge um pouco do alcance do treinador, que chegou faltando só dois
jogos para acabar e ainda tinha a ingrata missão de encarar o Bayern de Munique
na última rodada.
Se chegando no decorrer da temporada passada, o saldo do
trabalho de Xavi já foi excelente, tendo agora jogadores de mais qualidade e
podendo participar de uma pré-temporada, para encaixar todas as peças, a
expectativa para este Barcelona fica bem grande.
Analisando o atual elenco, talvez a maior carência seja na
lateral-direita, já que nem Sergi Roberto e Dest deram motivos para ocupar a
posição. Na lateral-esquerda, mesmo que Alba já tenha passado do seu auge,
ainda é a melhor opção. No centro da defesa, as vagas deveriam ser de Araújo e
Christensen, resta saber se Xavi vai insistir em Piqué, que vem em baixa. O
meio-campo terá uma briga interessante entre Busquets e Kessié para ser o
primeiro volante, enquanto De Jong e Pedri são indiscutíveis. Fechando o
ataque, Raphinha e Lewandowski serão dois nomes certos, enquanto na
ponta-esquerda fica em aberto. A preferência talvez fosse por Ansu Fati, mas o
garoto vem há dois anos sofrendo com lesões e pode ver Dembelé, com contrato
renovado, ocupar sua vaga.
Com tantas chegadas, resta saber o que acontecerá com alguns
jogadores. Aubameyang e Depay, são opções que podem jogar tanto de centroavante,
quanto pelos lados, ainda tem Ferran Torres. Será que todos aceitaram ser
reservas? No meio, Nico e Gavi, mesmo jovens, mostraram-se opções seguras para
jogar. O problema maior fica na defesa como um todo. Alba não tem um reserva
imediato, enquanto na zaga, Piqué, sequer era para continuar no clube, Eric García,
mesmo jogando vários jogos, não se mostrou confiável e Lenglet rumou ao
Tottenham. Já Umtiti, após a Copa do Mundo de 2018, sofre com lesões e disputou
apenas uma partida na última temporada.
Por mais que o futuro seja animador com o Barcelona,
acredito que nesta temporada, seja o momento de criar uma base para a equipe,
entrosar os reforços e ser competitivo em todas as competições. O trabalho de
Xavi ainda está no começo, mas com paciência e mais alguns reforços pontuais,
principalmente nas laterais, poderá voltar a ser um time que brigará por
títulos.
