Pitacos da Liga dos Campeões (semifinal-volta)

 Villarreal 2 x 3 Liverpool

Liverpool sofreu, mas garantiu vaga na final (Foto: Divulgação/Liverpool)

Quando o Liverpool dominou o Villarreal em Anfield, parecia que o confronto estava praticamente decidido. Os 2 a 0 de vantagem, deixavam os Reds podendo perder até por um gol de diferença. Só que agora, jogando em seus domínios, os espanhóis dificultaram, e muito, a vida do time de Jurgen Klopp, perdendo o jogo por 3 a 2.

Os mandantes tiveram um importante retorno ao time: Gerard Moreno. O camisa 7 esteve fora do primeiro jogo e ontem, mesmo no sacrifício, fez a diferença para o time. Em contrapartida, Unay Emery perdeu Danjuma uma importante válvula de escape para jogadas em velocidade.

Pelo lado inglês, Klopp optou pela entrada de Keita no meio-campo, ganhando assim mais força ofensiva. No ataque, Jota entrou no lugar de Luiz Diaz.

Fazendo valer a força de seu estádio, a marcação alta do Villarreal impedia que o Liverpool saísse em velocidade e tinha dificuldades de sair jogando. O começo não poderia ter sido melhor. Aproveitando o jogo ruim de Robertson e Alexander-Arnold, em cruzamento para área, o time da casa abriu o placar logo aos três minutos, com Boulaye Dia.

A pressão seguia. Se o Submarino Amarelo era soberano, faltava ainda a participação de Dani Parejo. Na primeira partida, precisou cumprir funções muito mais defensivas, desta vez, estava disperso e não conseguia pensar o jogo, com isso, os ataques do Villarreal ficavam muito mais pelas laterais, com as participações de Estupiñam e Foyt. E foi explorando o jogo pelos lados, novamente, que saiu o 2 a 0, com Francis Coquelin.  

Vendo o time completamente dominado, Klopp fez a alteração que mudou o jogo. Logo no intervalo, tirou um apagado Jota e colocou Luiz Dias. O colombiano deu outra cara ao time.

O Liverpool voltou a ser o Liverpool e vimos um replay do primeiro jogo. Três gols para os Reds, que contaram com uma tremenda ajuda de Rulli, que falhou em duas oportunidades, e Luiz Diaz, que contribuiu com um gol e era a principal arma ofensiva dos ingleses.

Emery até tentou colocar sangue novo no ataque, com as entradas de Paco Alcácer e Chukwueze, tudo em vão. O Villarreal sucumbiu e, na reta final do confronto, ainda apelou para faltas violentas, tanto que Capoué foi expulso.

Para o torcedor do Villarreal fica aquele sentimento de frustação, de ter reagido diante de um adversário tão complicado. Se Rulli não falha, o confronto teria ficado completamente em aberto. Mas, para um time de uma cidade pequena, ter vencido a última Liga Europa, e nesta edição da Liga dos Campeões, eliminando Juventus e Bayern de Munique, mostram que Unay Emery é, de fato, um grande treinador, e que aquele trabalho questionável no Arsenal, faz parte do passado. Mesmo sem ter o orçamento de gigantes europeus, é possível bater de frente com grandes e encara-los de igual para igual, como foram nos jogos das fases anteriores. 

Talvez o único ponto “negativo”, é que com os últimos dois bons anos do Villarreal, é possível que uma série de jogadores deixem o Submarino Amarelo, como é o caso de Pau Torres, que já havia sido bastante assediado pelo Tottenham no início desta temporada e permaneceu no clube. Atualmente, vem sendo monitorado por Real Madrid e Manchester United.     

Já para o Liverpool, fica o recado de que se entrar em um jogo desta grandeza meio desligado, o time pode levar sufoco. Se fosse contra um adversário com mais recursos, talvez o placar poderia ter sido mais de 2 a 0. No ataque, Diaz se firma cada vez como a opção para formar o ataque com Salah e Mane. Inclusive, depois de bons jogos, a ida do colombiano para o banco de reservas, pareceu até surpreendente. Também foi possível perceber que em momentos de pressão, o time de Klopp fica meio perdido e se livra da bola com facilidade. A marcação do Villarreal havia anulado completamente Fabinho e Thiago Alcântara, com isso, a bola não saia com qualidade lá de trás e os atacantes eram pouco acionados.

Real Madrid 3 x 1 Manchester City 

A camisa pesa e o Real Madrid garantiu a vaga para a final (Foto: Divulgação/Real Madrid)

Se tem um time que nasceu para uma competição, é o Real Madrid com a Liga dos Campeões. Só nessa edição do torneio, já foi dado como morto em diversas oportunidades, porém os comandados de Carlo Ancelotti sempre conseguem dar a volta por cima. Foi assim contra PSG e Chelsea, e hoje, diante do Manchester City, mostrou porque é o maior campeão da Champions.

Se o primeiro jogo foi em um ritmo absurdo, para o duelo na Espanha, até poderíamos imaginar uma partida mais cadenciada, já que uma vaga na final estava em jogo.  E foi até o que aconteceu, já que os primeiros minutos foram bem truncados, com ambos os times tendo dificuldades para sair jogando, devido a marcação alta.

Antes, nas escalações, nenhuma surpresa para os dois lados. No Real Madrid, Ancelotti já havia antecipado que Alaba estava fora. Em seu lugar, entrou Nacho Fernandez. Porém, no meio-campo, teve a importante volta de Casemiro. Já no City, o desfalque também era na zaga. Stones, lesionado, deu vaga para Laporte.

Taticamente, foi interessante a presença de Valverde, que no primeiro jogo não tinha ido bem ao substituir Casemiro. Desta vez, o uruguaio atuou como ponta-direita na fase ofensiva. Defensivamente, recuava para a linha de meias no 4-4-2, com Modric indo fazer dupla de ataque com Benzema.

O famoso poderio ofensivo do Real Madrid pouco apareceu na primeira etapa. Foram sete conclusões, só que nenhuma no gol de Ederson. O time da casa até teve volume de jogo, mas foi Courtois que precisou trabalhar e salvar em chute perigoso de De Bruyne.

Na segunda etapa, o City abriu o marcador aos 27 minutos. Bernardo Silva teve todo o espaço do mundo para conduzir a bola e abrir para Mahrez. O argelino chutou forte, de primeira e fez o 1 a 0.

Com a vantagem no marcador, o City brincou de perder gols. Grealish parou em Courtois e em outra oportunidade, Mendy afastou o perigo em cima da linha. E é aquela história: contra o Real Madrid, em uma Liga dos Campeões, você precisa aproveitar suas oportunidades, se não, o adversário cresce.

Quem até tentou, mas não fez um grande jogo foi Vinícius Junior. Em várias oportunidades, se enrolou com a bola ou era facilmente desarmado pelo adversário. Mas um outro atacante brasileiro entrou e mudou a história do jogo: Rodrygo.

Quando o jogo parecia decidido, o camisa 21 marcou aos 45 e 46 minutos para fazer o time da capital espanhola renascer no confronto e levar tudo para a prorrogação.

No tempo extra, de pênalti, Benzema deu números finais ao confronto. Com isso, o Real Madrid decidirá a final da Liga dos Campeões contra o Liverpool, reeditando o duelo da decisão da temporada 17/18.

Sempre que o Manchester City fracassa em seu objetivo de conquistar a Europa, muitos culpam Pep Guardiola, que, nos momentos decisivos, inventava algo na escalação. Desta vez, o treinador fez o simples e escalou quem deveria realmente jogar. Só que a substituição de De Bruyne, acabou com o jogo dos Cityzens. Por mais que a partida do belga fosse boa, é o tipo de jogador que em uma bola, pode mudar tudo, seja com gol, ou com uma assistência.

Depois do 3 a 1, o time sequer conseguiu dar algum calor no Real Madrid. Por mais que a ideia de ter um ataque móvel, sem um centroavante de área, pareça boa e pode criar muitas chances devido a movimentação dos jogadores que confunde a defesa, nos momentos de aperto, falta esse camisa 9. O City passou a levantar a bola desesperadamente para área, e víamos jogadores como Grealish, Foden e Sterling tendo que brigar pela bola contra defensores que são muito altos.

No geral, o grupo do City é muito bom, mas faltam peças. Como disse no texto do primeiro jogo, um time com a força financeira que tem o City, não pode improvisar Stones ou Fernandinho como laterais em uma semifinal de Liga dos Campeões.

Resta saber se deixar uma classificação quase garantida escapar pelas mãos, vai afetar a moral dos jogadores. Afinal, o City é líder da Premier League, mas a vantagem para o Liverpool é de apenas um ponto. No domingo, já volta a campo para encarar o Newcastle.

Enquanto o Real Madrid, pode coroar uma temporada quase que perfeita. No último final de semana sagrou-se campeão espanhol e, com muito sofrimento, mas protagonizando duelos históricos, chega na decisão da Champions League.

O Real Madrid soube sofrer em todo o torneio, mas na hora que precisava crescer, o time crescia e protagonizava viradas épicas. Carlo Ancelotti chegou sob alguma desconfiança para o seu retorno ao Santiago Bernabéu, já que seus trabalhos em Everton, Napoli e Bayern de Munique não haviam empolgado. Mas, o italiano conhece o caminho das pedras, e mesmo depois de uma surpreendente derrota frente ao Sheriff, o time não acusou o golpe e seguiu fazendo suas vítimas na competição.

Anotando dois gols, não podemos deixar de falarmos sobre Rodrygo. O brasileiro alterna entre momentos de titularidade e reserva, mas sempre que entra no decorrer dos jogos, chama a responsabilidade e anota seus gols. Por mais que Valverde tenha jogado bem, muito possivelmente, Rodrygo tenha carimbado sua vaga no time titular para a decisão em Paris.