A 14° Champions League, coroa um "novo" Real Madrid

 

Marcelo ergue a taça da Liga dos Campeões (Foto: Divulgação/Real Madrid

Não adianta. Até quando o Real Madrid passa por um processo de reformulação em seu elenco, passando a investir em jogadores jovens e trazendo Carlo Ancelotti, que vinha de alguns trabalhos questionáveis, o time espanhol bateu o Liverpool por 1 a 0 para, assim, vencer sua 14° edição da Liga dos Campeões.

No começo da atual temporada, o Real Madrid não era apontado como um dos favoritos para conquistar o torneio. Quando sofreu uma surpreendente derrota frente ao Sheriff, no Santiago Bernabéu, muito se duvidou até onde o time de Ancelotti pudesse chegar. Em La Liga, o título talvez fosse até uma obrigação, já que o Atlético de Madrid oscilou no campeonato e o Barcelona vive uma reformulação e se recupera de uma grave crise financeira. Só que no mata-mata da Liga dos Campeões, fez o que todos nós conhecemos: cresceu nos momentos decisivos e protagonizou duelos épicos.

Pelo caminho, eliminou o Paris Saint Germain. Perdeu o primeiro jogo no Parque dos Príncipes por 1 a 0. Na volta, saiu atrás do marcador, e com um hat-trick de Benzema no segundo tempo, avançou para encarar o Chelsea, o até então campeão europeu. Parecia que o caminho seria mais fácil ao ganhar de 3 a 1 no Stanford Bridge. Só que na Espanha, os Blues ganhavam de 3 a 0, mas Rodrygo e Benzema, na prorrogação, levaram o time à semifinal. Era hora de enfrentar o Manchester City de Pep Guardiola. Os Cityzens martelaram, criaram muito mais oportunidades, mas a vitória de 4 a 3 deixava o confronto totalmente aberto. No Bernabéu, o City saiu na frente do marcador, só que Rodrygo, mais uma vez, marcou dois gols nos acréscimos e levou a partida para o tempo extra, que terminou com Benzema marcando o gol derradeiro do confronto.

Na decisão, em Paris, o adversário era o Liverpool, que fez uma temporada impecável. Na Premier League, mesmo anotando incríveis 92 pontos, foi vice-campeão. Nas copas nacionais, dobradinha, batendo o Chelsea nas duas decisões. Enquanto na Liga dos Campeões, fez uma campanha com 100% de aproveitamento na fase de grupos, e depois, sofreu apenas uma derrota para a Inter de Milão nas oitavas de final.

Dentro de campo, o Liverpool usou da sua tradicional estratégia com a marcação alta, em muitos momentos, dificultando a saída de jogo do Real. Mesmo sem Salah estar tão inspirando, Luiz Dias e Mané comandavam o ataque dos Reds, que criou diversas oportunidades, mas parou nas defesas de Courtois.

Mesmo com dificuldades, o time de Ancelotti não sentiu a pressão e cadenciava a partida. Com Toni Kross administrando as ações ofensivas dos espanhóis e Vinícius Junior sendo a válvula de escape para as jogadas em velocidade.    

Só que a primeira - e única - chegada concreta do Real na primeira etapa, já foi o suficiente para assustar o Liverpool. Benzema teve um gol anulado aos 42 minutos. Depois disso, parece que os ingleses acusaram o golpe.

Quando o Liverpool chegava, Courtois sempre fazia alguma grande defesa. E foi em uma dessas escapadas em velocidade, que saiu o gol do título madrilenho. Valverde carregou pela direita, cruzou, Alexander-Arnold dormiu na marcação, e pelas suas costas, Vinícius Junior, na pequena área, empurrou para as redes.

O título marca o ressurgimento de Carlo Ancelotti. O treinador, em muitos momentos, foi dado como ultrapassado. Os trabalhos por Bayern de Munique, Napoli e Everton, fizeram os torcedores ficar com a pulga atrás da orelha. Mas era uma escolha segura, afinal, o italiano conhece uma boa parte dos jogadores, lá da sua primeira passagem, entre 2013 e 2015. A personalidade tranquila, faz com que tenha uma boa relação com o elenco, e o seu perfil, de trabalhar com jogadores jovens, fez com que muitos garotos, como Vini Jr, Rodrygo, Valverde e Camavinga, tivessem espaço no time principal.

Falando em jovens, é preciso citar a mudança de postura do Real Madrid no mercado de transferências. Talvez o último nome realmente badalado que tenha sido contratado, foi Eden Hazard, por 115 milhões de euros. Alaba também se encaixa nesse quesito, mas veio de graça. Um dos méritos de Ancelotti foi saber mesclar os garotos com os jogadores multi-campeões. E, talvez, a melhor notícia, é que mesmo tendo atletas com pouca idade, eles já são uma realidade, e ainda podem ter uma grande margem de evolução, ao amadurecerem com o passar do tempo, até alcançarem o seu auge.

E os nomes mais experientes, também deram conta do recado. Courtois, talvez tenha feito sua melhor na temporada na carreira. Se o ataque do Real produziu muitos gols, nos momentos de aperto, o belga salvou o time com grandes defesas. O clássico trio de meio-campistas, também foi fundamental. Modric, correu como um garoto, basta ver seu jogo contra o PSG e, na minha opinião, jogou mais do que quando foi o melhor do mundo. Casemiro, fez o que sabe de melhor, proteger a defesa com maestria. Kross, sofreu com lesões, em alguns momentos, até deveu um pouco, sendo substituído com frequência, mas na hora que precisava crescer, apareceu e mostrou sua importância. Benzema, dispensa apresentações, e, deve levar a bola de ouro, com todo o mérito.

Muitos podem questionar o fato da camisa pesar em alguns confrontos. O Real foi dado como morto em todos os duelos eliminatórios da Liga dos Campeões, mas soube jogar quando precisava. Um grande exemplo foi o que vimos em Paris. Mesmo sendo sufocado, não mudou sua estratégia. Aproveitando que o Liverpool teve uma temporada mais desgastante, quando acelerou o jogo, matou o confronto.

Agora, para 22/23, resta saber o que os merengues vão fazer. De contratações, após Mbappé optar por renovar com o PSG, o Real deve trazer o zagueiro Rudiger, do Chelsea, a custo zero. Já Isco e Bale, tem seus contratos encerrando e não serão renovados.