A reformulação do PSG precisa ir além do elenco

 

Elenco do PSG deve passar por uma renovação (Foto: Divulgação/PSG)

Ao longo desta semana saiu uma notícia de que na próxima temporada, haverá uma grande limpa no elenco do Paris Saint Germain. A informação por si só, não é surpreendente, já que esse grupo, mesmo com o título da Ligue 1, tem rendido muito pouco dentro dos gramados. 

Mas a renovação, não pode ser só dentro do grupo de jogadores. Precisa começar com a saída de Leonardo, diretor de futebol. O brasileiro pode ser ídolo do PSG, mas como dirigente muitas vezes lhe falta pulso em suas decisões, se impor mais nos momentos ruins da equipe. Como após a eliminação da última Liga dos Campeões, que procurou tranquilizar os jogadores e focar na conquista do Campeonato Francês.

O PSG foi eliminado pelo Real Madrid. No primeiro jogo, em Paris, dominou a partida por completo, empilhando chances de gol e venceu apenas por 1 a 0. Na volta, saiu na frente do marcador com gol de Mbappé, mas um hat-trick de Benzema decretou a classificação dos espanhóis.

Em momentos como esse, o diretor de futebol precisa cobrar o elenco e não fingir que está tudo bem. Ainda mais que não é a primeira vez que o PSG perde uma classificação quase garantida na Liga dos Campeões. Em seu lugar, é especulado a vinda de Andrea Berta, do Atlético de Madrid.

Também é preciso falar das contratações que o clube fez. Muitas delas, parece que foram feitas por impulso, aproveitando negócios de ocasião, sem analisar às necessidades do elenco. As vindas de Donnarumma e Wijnaldum indicam isso. Ambos já reclamaram em entrevistas sobre quererem mais tempo em campo. O primeiro participa de um rodízio no gol com Navas e o segundo precisa disputar posição com Verratti, Paredes e Herrera.  

Por mais que o PSG tenha dinheiro para contratar, um dos pontos mais criticados é a falta do uso das categorias de base. Para se ter noção, jogadores como Kingsley Coman, Cristopher Nkunku e Odsonne Édouard são frutos da base do clube, mas quase não tiveram minutos na equipe principal. Do elenco atual, um dos jovens que se tem maior expectativa é Xavi Simons. Outros nomes também chamam a atenção, entre eles: Djeidi Gassama, Édouard Michut e El Bitshiabu.

De acordo com emissora inglesa Sky Sports, a renovação do elenco passa pelas saídas de Thilo Kehrer, Layvin Kurzawa, Leandro Paredes e Julian Draxler. O nome de Neymar também é citado - mas com uma pedida de 90 milhões de euros, é difícil que surja algum interessado pelo brasileiro.

Dentre os “dispensáveis”, talvez o mais surpreendente seja a presença de Paredes. O raçudo meio-campista argentino, além de ser titular do PSG, é um jogador extremamente interessante. Tem uma grande facilidade de sair jogando a partir da defesa, sabe realizar desarmes e agrega muito na bola parada e finalizações de longa distância.

Agora, jogadores como Kehrer e Kurzawa, não passam de nota 7 e pouco agregam ao grupo. Draxler, chegou ainda jovem em Paris, aos 23 anos. Tratado como uma promessa na Alemanha, sua contratação até fazia sentido, só que o jogador nunca vingou de fato, tanto que apenas em duas temporadas realmente teve sequência na equipe. No restante, nunca passou de um coadjuvante.

Sem contar que ainda tem o mistério em torno de Mbappé. Anteriormente, o atacante parecia decidido em deixar o Parque dos Príncipes e rumar ao Real Madrid. Só que nos últimos dias, o discurso do jogador já mudou e uma permanência em Paris parece possível.

Uma mudança no comando técnico também é especulada. Quando o PSG anunciou a chegada de Maurício Pochettino, houve uma grande expectativa do que o novo comandante faria. Mesmo que não tenha conquistado títulos no Tottenham, foi o responsável por colocar os Spurs entre os times mais competitivos da Inglaterra, além de ter chegado em uma inédita final de Liga dos Campeões, que perdeu para o Liverpool.

Chegando em um time com muito mais investimento, era esperado que Pochettino levasse o PSG ao tão sonhado título europeu. Mas a relação já começou estremecida quando perdeu o título francês para o Lille e colecionou duas eliminações na Liga dos Campeões, fizeram o argentino perder prestígio com a alta cúpula do Paris.

Diante de um plantel tão talentoso, o técnico não conseguiu criar uma identidade de jogo. Muitas das vitórias, vieram de brilhos individuais de suas estrelas, principalmente de Mbappé. Sem um padrão tático, o time peca em vários aspectos. Joga de maneira lenta, faltando verticalidade, dando a impressão de que, só por ser uma equipe forte, vão resolver o jogo a qualquer momento.

Em resumo, se o PSG quer conquistar a Liga dos Campeões, precisa de uma limpa em diversos setores do clube. Caso confirme a vinda de Andrea Berta, um profissional muito mais renomado do que Leonardo, já é um bom começo. No mercado de transferências, focar nas carências do elenco e não simplesmente contratar por contratar só porque surgiu algum negócio de ocasião. E o ponto mais importante deste projeto: manter Mbappé em seu elenco.