O dia seguinte: GP da Arábia Saudita

 

Verstappen comemora a vitória (Foto: Divulgação/Red Bull)

Desde que o GP da Arábia Saudita foi introduzido ao calendário da Fórmula 1, a pista tem levantado diversas questões de segurança. Um circuito de rua, rápido e com vários pontos cegos, proporcionaram uma corrida caótica em 2021. Se não bastasse toda a polêmica, durante a sessão de treinos livres, um míssil foi lançado na sede da Aramco, a 10 km de Jedá. Uma reunião durante a madrugada confirmou que haveria corrida no domingo.

Voltando para o que aconteceu dentro da pista, parecia que Leclerc dominaria mais um final de semana, liderando os três treinos livres, acabou sendo surpreendido na classificação por Sério Perez, da Red Bull. Quem já havia alertado para o ritmo da RBR foi Mattia Binotto. O chefão da Ferrari, antes mesmo das atividades no circuito, considerava a escuderia austríaca favorita para a vitória.

Leclerc precisou se contentar com a segunda posição, seguido de seu companheiro, Carlos Sainz, com Verstappen em quarto. O motor Mercedes segue sofrendo. Apesar de Russell ter conseguido o sexto tempo, Hamilton ficou em 16°, ainda no Q1, coisa que não acontecia desde o GP do Brasil em 2017.

Nesse início de campeonato, mostra que Ferrari e Red Bull estão muito na frente da concorrência. Perez dominava a corrida, até que Latifi acertou o muro na volta 16 e chamou o safety-car para a pista. O mexicano, que já havia feito sua parada, foi prejudicado e caiu para o quarto lugar. Com os outros pilotos parando durante o carro de segurança, melhor para Leclerc, que assumiu a liderança da prova. Em uma estratégia diferente, largando de pneus duros, Hamilton aparecia em sétimo. Depois do pit-stop, o heptacampeão fez uma corrida discreta e terminou em sexto lugar, logo atrás de Russell.

Na volta 37, houve um abandono triplo: Alonso e Ricciado pararam seus carros na pista e Bottas ainda conseguiu levar sua Alfa Romeu até a garagem. Com isso, mais um safety-car acionado. A corrida recomeçou com oito voltas para o final e Verstappen foi decidido para assumir a liderança da prova. O atual campeão até conseguir a ultrapassagem sobre o monegasco, mas Leclerc deu o troco logo na sequência. Depois de travar um longo duelo, a três voltas do final, Verstappen conseguiu a ultrapassagem e, após abandonar na corrida passada, conseguiu seus primeiros no campeonato e rumou para a sua 21ª vitória na carreira.

Como foi dito no primeiro parágrafo, desde que Fórmula 1 pisou em solo saudita, foi levantada uma série de questionamentos, começando pelo país em si. A Arábia Saudita é uma ditadura, em que jornalistas morrem por criticar o país. Mulheres só podem andar na rua acompanhadas pelo marido ou algum parente, para conseguir um cartão de crédito, só é possível com o aval do esposo ou pai. Indo para a pista agora, voltamos a falar da segurança. Mick Schumacher sofreu um acidente sério, de 33G e ficou fora da corrida, além das diversas interrupções que houve no ano passado, indicam que essa pista não é segura para se correr. Promotores do evento garantem que a pista em Jedá é apenas provisória e que um autódromo permanente ainda será construído. Agora, os árabes possuem dinheiro infinito, não era mais fácil construir uma pista para depois receber a Fórmula 1? Mas, como sempre, na F1 o dinheiro é o mais importante.

Falando da corrida em si, que é o mais importante. A Red Bull conseguiu se recuperar depois do desastre que foi no Bahrein. Pole com Perez e vitória de Verstappen, indicam que a equipe austríaca lutará contra a Ferrari pelo título dessa temporada. Por mais que o carro da escuderia de Maranello parece ter nascido melhor, o motor Honda da RBR é um verdadeiro canhão de reta. A grande prova foi quando Verstappen assumiu a liderança, Leclerc andava colado e mesmo com o DRS aberto, não conseguia fazer a ultrapassagem, mesmo terminando apenas a 0.629 do vencedor.

Depois de tantos anos, ainda é estranho ver a Mercedes fazer corridas tão apagadas nesse início de temporada. Por mais que toda a mudança de regulamento sempre privilegie uma equipe, não era de se esperar que os alemães fossem decair tanto. Para o GP da Arábia Saudita, a Mercedes atualizou todas suas asas traseiras e dianteiras, além de algumas opções de acabamento para a traseira do carro, que ajudaria a diminuir o arrasto. Tudo em vão. Toto Wolff chutou o balde e disse que o desempenho das flechas de prata é inaceitável, e que ainda não conseguiram encontrar um acerto ideal para o carro.