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| Medina foi demitido do Inter (Foto: Divulgação/Internacional) |
Depois de quatro meses, Alexander Medina não é mais técnico
do Internacional. Foram 17 jogos, com apenas seis vitórias e um pífio
aproveitamento de 47%.
Desde que assumiu a casamata no Beira-Rio, Medina nunca
convenceu. Por mais que não tenha recebido alguns jogadores com as
características do seu esquema tático, principalmente pontas, o que se via em
campo, era um time completamente bagunçado: David jogando de centroavante,
Liziero e Mercado na lateral-esquerda, Bruno Mendez na lateral-direita,
Edenilson de volante, ponta ou meia. Um verdadeiro quebra-cabeça, que não deu
certo, e dificilmente daria algum resultado.
Estamos no meio de abril, o Inter foi eliminado pelo Grêmio
na semifinal do Gauchão, caiu para o Globo na Copa do Brasil, ainda na primeira
fase da competição, e na Sul-Americana, dois empates, contra 9 de Octubre e
Guiareña, além de ter estreado com derrota no Brasileirão, frente ao Atlético
Mineiro.
Quando veio a eliminação no estadual, foram duas semanas
para treinar e se preparar para a estreia na Sul-Americana. Em campo, ao invés
de ter alguma evolução, o time regrediu. Lento, sem verticalidade, tocando só
passe de lado, com dificuldades em finalizar no gol adversário, mostraram que
foram 15 dias perdidos.
Incrivelmente, o Inter saiu ganhando de 2 a 0 do 9 de
Octubre, penúltimo colocado do Campeonato Equatoriano. Mesmo diante de um
adversário extremamente limitado, o time do Equador buscou a igualdade, com
dois gols na reta final do confronto.
Sem mostrar qualquer evolução, a diretoria errou em não
demitir Medina após o Gauchão. Ao menos, seria possível corrigir o erro e o
novo técnico teria alguns dias para arrumar a casa e ir mais confiante no
torneio internacional. Mas Alessandro Barcellos decidiu bancar a permanência do
treinador para o Brasileirão.
A derrota diante do Atlético Mineiro, no Mineirão, era mais
do que previsível. A sorte, talvez, é que o time de Turco Mohamed estava com a
cabeça na Libertadores, e, mesmo assim, com dois gols de Hulk, os mandantes não
tiveram nenhuma dificuldade para sair com os três pontos.
Só que a gota d’água veio na quinta-feira. Pela segunda
rodada da Sul-Americana, o Inter iria receber o Guaireña, do Paraguai. Time
fundado em 2016 e que fazia sua primeira partida fora do país. O clima no
Beira-Rio já era hostil, com vaias, principalmente para Medina e Alessandro
Barcellos. A situação só piorou quando os visitantes abriram o marcador na reta
final do primeiro tempo. A igualdade veio graças a um gol contra de Miguel
Paniagua.
Após o apito do juiz, mais vaias e gritos de “time sem
vergonha” ecoavam pelo estádio. Fora do Beira-Rio, torcedores, se é que podemos
chama-los assim, arremessaram gradis nas vidraças e quebraram um vidro. A
Brigada Militar precisou usar a cavalaria e gás de pimenta para dispersar a
multidão.
Diante deste cenário de caos, em toda a coletiva pós-jogo, o
treinador, em um mundo paralelo, sempre repetia o discurso de que via coisas
boas dentro de campo, que o time estava evoluindo e que as lesões, prejudicam o
time. O Medinaverso incomodou a torcida e muitos dirigentes do clube,
que não viam nada disso que o técnico falava.
Como eu disse em outro texto, a permanência de Medina tinha prazo de validade e que qualquer sequência ruim, seria demitido. Foi exatamente
o que aconteceu. Nesta sexta-feira, o Inter anunciou a demissão do treinador
uruguaio.
E tem três nomes já circulando para ser o novo treinador:
Tiago Nunes, Cuca e Lisca. O primeiro, tem o respaldo de Paulo Autuori, mas vem
em baixa, depois de trabalhos ruins em Corinthians, Grêmio e Ceará. Cuca, sem
dúvidas, seria o melhor nome, mas o treinador tem planos de ir à Europa para
estudar. Já Lisca, é aquele cara que pode dar resultado em curto prazo, mas por
ser pavio curto, pode não ficar tanto tempo no clube, além de nunca ter trabalhado em um time grande, pode pesar contra também.
O meu nome seria Odair Hellmann, por conhecer como a coisa funciona
no Beira-Rio. Eu não sou nem um pouco fã do estilo de jogo do Odair, só que com
as peças que temos no time, a tal “ruptura” tão prometida por Alessandro
Barcellos em sua campanha, precisa ficar para trás e aceitar que esses
jogadores funcionam em um esquema reativo, fechando a casinha e jogando no
contra-ataque. Foi assim que terminamos em terceiro lugar no Brasileirão de
2018, com o próprio Odair no comando.
Só que o Odair, diferentemente dos outros três técnicos citados,
está empregado. Atualmente no Al Wasl, dos Emirados Árabes, e com a multa rescisória
de 2 milhões de dólares, fica difícil de sonhar com sua volta ao Beira-Rio.
Independentemente de quem venha, Barcellos precisa entender
que nem todo técnico estrangeiro é como Jorge Jesus ou Abel Ferreira, que
chegam e ganham títulos logo de cara. São times que tem dinheiro e é possível
fazer uma ruptura em curto prazo, contratando jogadores que se encaixem na
tática do treinador. No Inter, afundado em dívidas e com pouco dinheiro para
contratar, é quase impossível fazer esta reformulação. Por isso, que a saída de Medina, faça
o presidente pensar bem e não inventar moda de querer contratar outro técnico
emergente para o comando do Internacional. É hora de pensar no simples e lutar
pela sobrevivência no Campeonato Brasileiro.
